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Capítulo 3: Loucura?

Música do capítulo: aqui.

Loucura?

Acordei em um quarto escuro, sobre uma cama. Algumas milhares de coisas passaram na minha cabeça; primeiramente, paralisei de medo ao perceber que fora sequestrado. Depois percebi que eu conseguia ver, fracamente, as formas de uma cômoda, uma estante, uma mesa e um homem em pé, mesmo sem nenhuma luz acesa. A única luminosidade vinha de uma pequena fresta aonde, pelo jeito, existia uma porta.

Percebi também que estava nu, mas incrivelmente, isso não foi o que mais me assustou. A pior coisa na situação toda era uma ardência que eu sentia em quase todo meu corpo, exceto nas extremidades e na cabeça. Parecia que álcool havia substituído o sangue em minhas veias, dando-me uma sensação até suportável, mas bem dolorosa.

Bom dia, luz do dia! — ouvi a voz animada de Alec, enquanto via seu semblante andar pelo quarto. — Você dormiu demais, já são quase cinco da manhã. Vamos, vista-se.

A luz se acendeu e eu encontrei minhas roupas dobradas sobre a mesa, que estava ao meu lado. Levantei-me e me vesti rapidamente, sem saber se estava mais com medo, raiva ou vergonha. Assim que terminei, olhei para Alec duramente, preparando-me para lutar para chegar à porta.

Eu gostaria muito de ter algumas respostas, senhor – falei, logo me amaldiçoando por tratá-lo respeitosamente. Mania idiota. Esperei que pelo menos tivesse soado irônico, mas ele não esboçou nenhuma reação.

Você terá, mas ainda não. Como eu disse, você dormiu demais.

Bufei, furioso. Eu queria torturá-lo atrás de respostas, mas meu bom-senso me dizia para tentar ir embora dali.

Olha aqui, velho louco, eu não sei o que você quer e acho que não devia nem me importar. Só quero ir pra minha casa. Agora.

Tentei fazer minha voz soar o mais ameaçadora possível, e andei até parar em frente à ele, deixando sobressalente a minha altura um pouco maior, como se isso fosse assustá-lo.

Vai – ele disse casualmente. — Não estou te impedindo. Mas por favor, só ouça o que estou dizendo: veja o nascer do sol. Por favor.

Aham, claro – murmurei sarcasticamente e disparei para a porta, surpreendendo-me ao ver que ele realmente me deixou ir.

Sem acreditar que sair de lá seria tão fácil, entrei cautelosamente no corredor, olhando para os lados. Na esquerda, existia uma escada para o piso inferior, então fui para o outro lado, passando por algumas portas fechadas, e dei em uma sala de estar. Ela era banhada pela luz da lua, entrando tímida pelas janelas, mas era possível ver os sinais de que amanheceria em breve.

Ainda cético, corri para a porta de entrada e quase parei em choque ao notar que eu realmente estava livre, do lado de fora. Passei pelo jardim, discreto e não muito grande, e pulei o pequeno portão que separava o terreno da calçada. Então comecei a correr, observando as casas e tentando entender onde eu estava. Aquele parecia ser um bom bairro de classe alta, mas eu não consegui me situar na cidade. Em parte, talvez, por estar prestando mais atenção aos detalhes do caminho do que no caminho em si. As coisas me pareciam estranhamente mais nítidas, as cores mais vibrantes. Eu já tinha certeza de que havia ingerido alguma droga, e sabia que teria de ir para a polícia e para um hospital urgentemente.

Assim que achei um ônibus que me levasse para casa – surpreso novamente por encontrar todo o meu dinheiro intacto na minha carteira — , sentei e passei a avaliar tudo, constatando que realmente havia algo de diferente na minha visão. Mas não era só isso. Agora existia também um cheiro… doce, quase embriagante, confinado no ônibus. Eram poucos passageiros, mas eu sabia que o aroma emanava deles.

Balancei a cabeça, recusando-me a acreditar. Eu já sabia o que havia acontecido, mas não, não era possível. Eu achava que se negasse o bastante, poderia mudar a realidade. Não seria a primeira vez que alguém tentou fazer isso.

Quando cheguei ao meu apartamento, não pude me conter de sentar em uma poltrona e relaxar. Seja lá o que fosse que estivesse ardendo em meu corpo, estava tirando minha energia. E, pensando bem, qual seria o problema de um pequeno cochilo antes de ir à polícia? Eles entenderiam…

Sim, eu cuidaria de tudo mais tarde. Mas o que acontecera de verdade? O que pode ter provocado uma alucinação com vampiros? Aquilo não podia ser verdade, é claro. Talvez nem mesmo essa queimação em minhas veias, que agora se alastrava por todo lugar menos minha cabeça, fosse real. Talvez nada fosse, talvez eu só estivesse dormindo, talvez…

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  1. gostei muito do livro como sou apaixonada por histórias de vampiros ,adorei, o livro é muito bem detalhado.

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